aqui em todos os lugares

"Quando se começa a dizer que o simples fato de estar vivo é um bom sinal, só posso achar isso um péssimo sinal."
Quando esta frase me encontrou eu tentava uma leitura vespertina e por não praticar o hábito de fumar, não fumava, mas tossi muito; acabara de tragar impiedosa verdade e quase irrefutável, que desgraçadamente revelava insípidos dias, até aquele mesmo, naquela tarde.
O simples fato de estar vivo, despertou contrariamente vontade de morrer: vidas sem privacidade despojadas de sentido, tédio em comunhão, compensação rara mui oca no consumo, eterno retorno à esquina, televisão e sol... todos numa frase, num turno, ano 1996.
Praxes prevalecente de pusilânimes exercícios de sobrevivência. Ah! Como viver parece fácil e seria se não houvesse O Pensamento, que emerge feito garis de calçamentos trazendo ciscos para superfície lisa; sem eles todo raso contorcionismo risível para espantar moscas e nos mover de lugar para o mesmo lugar, talvez nos levasse longe.
Pois quando o pensamento manifestou-se em nós, compactuamos em desenvolvê-lo e que nossa dieta seria a Reflexão; atentaríamos para conciliações cotidianas, recusaríamos opções não condicionadas pela liberdade, assuntaríamos a hermenêutica e não querendo meramente pertencer ao reino das testemunhas da extrema perversidade e desumanização que se processa neste final de século, examinaríamos as feridas que se abrem e saram na interação natureza, sociedade, cultura, crenças, mercado, mídia.... Enfim erigimos a Filosofia como esperança de salvação.
Para provar nossa resistência passamos a nos encontrar em temas anuais: Do Lugar Nenhum da Humanidade-1996# O gosto Amaro da Verdade-1997# Do Encosto como Entulho-1998# Solidão e Promiscuidade-1999 # Ofício do Ócio-2000. Hoje uma indisfarçavel expectativa ante a passagem dos meses até agosto, aguça a dieta e faz nela um caldo mais sólido: Univer sou mbigo, Anatomia da Desesperança-2001.
Ante tudo, o Núcleo de Pensamento Filosófico e seus membros laboram o máximo destemor da autocrítica e já que invocam a Reflexão Filosófica contra a alienação e o domínio da mediocridade, não se apartam, e também se responsabilizam pelo quase sumiço da razão e apogeu da insensibilidade ou alienação existencial, misto de imbecilidade e vontade de poder.
O Pensatório e seus membros sabem que estão imiscuídos na própria epistemologia adotada, e que nada os livra e guarda, somente a inclusão, o encosto e a cognição podem auxiliar na limpeza do caminho até o ocaso.
Tudo Mais.
Nada Mais.
Obrigado de nada.

Mário César Vinhas
Coordenador